Arqueologia Experimental
Num trabalho académico recente intitulado "Early science and colossal stone engineering", assinado, entre outros, por investigadores das Universidades de Sevilla, Alcalá de Henares (Madrid), Salamanca e Granada. Lozano-Rodriguez et al., 2024 foram apresentadas propostas sobre as técnicas construtivas usadas no transporte e ereção de blocos megalíticos. No essencial, os autores seguem a experiência, promovida pela BBC, em que foi usada uma réplica, em cimento, de um dos ortóstatos de Stonehenge..
Não creio que essa técnica, baseada num complexo sistema de contrapeso, que talvez pudesse funcionar com os blocos tabulares regulares de Menga ou Stonehenge, fosse viável com os nossos menires (ou mesmo com os esteios da maior parte das antas).
De acordo com as várias experiências que levei a cabo (duas delas no Montado do Freixo do Meio), com blocos de dimensão média, o método utilizado pode ter sido muito mais imples.
O alvéolo é escavado, de um lado, na vertical e, do outro, em rampa.
O bloco é rolado sobre troncos (ou deslizado) até ao alvéolo, pelo lado da rampa e levantado pela extremidade distal, com alavancas, até apoiar no fundo do alvéolo, contra a parede vertical deste. Em todo o processo, cada elevação do bloco é acompanhada pela deposição de pedras de calce que vão preenchendo a parte rampada e contribuindo para a estabilidade do dito.
Para evitar oscilações laterais, é importante que o alvéolo seja aberto à medida da largura do bloco, com pouca folga e, para reforçar este efeito, bastam uma corda de cada lado, com os operadores preparados para corrigir eventuais desvios. É importante que a elevação da extremidade do bloco seja feita gradualmente, subindo cerca de 5º de cada vez e que, em cada subida, seja acompanhado pela inserção de pedras de calce, por baixo e, se necessário, dos lados.
Claro que, com blocos de grandes dimensões, à medida que o processo inicial, baseado exclusivamente no uso das alavancas, avança, é preciso criar uma plataforma, presumivelmente em terra e pedras, para que o apoio das alavancas possa ir subindo, até elevar o bloco aos 45º. Nessa fase, inicia-se o uso das cordas, com ou sem A, sendo fundamentais as cordas laterais e uma subida faseada do bloco, acompanhada pela reposição ou acrescento, das pedras de calce.











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