13. Como se constrói um menir?

 Arqueologia Experimental

Fig. 13.1- Esquema dos alvéolos de Stonehenge (imagem extraída do vídeo Secrets of Lost Empires)

Num trabalho académico recente  intitulado "Early science and colossal stone engineering", assinado, entre outros, por investigadores das Universidades de Sevilla, Alcalá de Henares (Madrid), Salamanca  e  Granada. Lozano-Rodriguez et al., 2024 foram apresentadas propostas sobre as técnicas construtivas usadas no transporte e ereção de blocos megalíticos. No essencial, os autores seguem a experiência, promovida pela BBC, em que foi usada uma réplica, em cimento, de um dos ortóstatos de Stonehenge..

Não creio que essa técnica, baseada num complexo sistema de contrapeso, que talvez pudesse funcionar com os blocos tabulares regulares de Menga ou Stonehenge, fosse viável com os nossos menires (ou mesmo com os esteios da maior parte das antas).

De acordo com as várias experiências que levei a cabo (duas delas no Montado do Freixo do Meio), com blocos de dimensão média, o método utilizado pode ter sido muito mais imples.

O alvéolo é escavado, de um lado, na vertical e, do outro, em rampa. 

O bloco é rolado sobre troncos (ou deslizado) até ao alvéolo, pelo lado da rampa e levantado pela extremidade distal, com alavancas, até apoiar no fundo do alvéolo, contra a parede vertical deste. Em todo o processo, cada elevação do bloco é acompanhada pela deposição de pedras de calce que vão preenchendo a parte rampada e contribuindo para a estabilidade do dito.

 Para evitar oscilações laterais, é importante que o alvéolo seja aberto à medida da largura do bloco, com pouca folga e, para reforçar este efeito, bastam uma corda de cada lado, com os operadores preparados para corrigir eventuais desvios. É importante que a elevação da extremidade do bloco seja feita gradualmente, subindo cerca de 5º de cada vez e que, em cada subida, seja acompanhado pela inserção de pedras de calce, por baixo e, se necessário, dos lados.

Claro que, com blocos de grandes dimensões, à medida que o processo inicial, baseado exclusivamente no uso das alavancas, avança, é preciso criar uma plataforma, presumivelmente em terra e pedras, para que o apoio das alavancas possa ir subindo, até elevar o bloco aos 45º. Nessa fase, inicia-se o uso das cordas, com ou sem A, sendo fundamentais as cordas laterais e uma subida faseada do bloco, acompanhada pela reposição ou acrescento, das pedras de calce.

Fig. 13.2- Esquema de implantação de menir.

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Fig. 13.3 - Algumas das experiências com menires ou blocos meniróides. 1. Vale Maria do Meio, 1995; 2. Tojal, 2000; 3. Barrocal, 2006; 4. Freixo do Meio, 2022; Boom, 2023.

Tempo e tecnologia
Muitos menires tombaram ainda no Neolítico, muito provavelmente como consequência de importantes eventos sísmicos. Bonniol e Cassen, 2009
É possível que os construtores e utentes dos menires se tenham apercebido de que os blocos tombavam sistematicamente para o lado rampado do alvéolo. 
Quando, séculos mais tarde, começaram a construir os grandes dolmens (alguns reutilizando menires), aplicaram os conhecimentos adquiridos, inclinando, mesmo que levemente, os esteios para o lado oposto á rampa. Lozano-Rodriguez et al., 2024
Esta solução poderia, em alguns casos, ter a vantagem adicional de permitir cobrir, com a laje de cobertura, um espaço mais amplo; porém, em muitos casos, como acontece notoriamente com os quoit britânicos, a laje de cobertura costuma exceder largamente a área a coberta.


Fig. 13.4 - Esquema da derrocada dos menires




Fig. 13.5 - Esquema da implantação de um esteio de dolmen




Arqueologia experiencial...


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